
A digitalização da construção civil já gera impactos diretos nos custos, prazos e na produtividade das obras no Brasil — permite reduzir despesas em até R$ 13 milhões, como mostra o case da AltoQi e chega a reduzir 1.500 incompatibilidades antes da obra.
Na prática, a chamada construção digital permite que empreendimentos sejam projetados e testados integralmente no ambiente virtual antes da execução física. Com o uso de BIM (Modelagem da Informação da Construção), é possível identificar interferências entre sistemas ainda na fase de projeto, além de levantar quantitativos mais precisos de materiais — o que reduz desperdícios, melhora o controle financeiro e aumenta exponencialmente a previsibilidade da entrega da obra.
“Quando eu construo virtualmente, consigo identificar inconsistências antes da execução e trabalhar com quantitativos exatos, o que torna todo o processo mais eficiente”, explica Rui Gonçalves.
A previsibilidade também impacta diretamente as relações contratuais. Com dados mais precisos, construtoras e prestadores de serviço conseguem negociar com mais assertividade, reduzindo riscos e distorções de orçamento.
A digitalização não afeta apenas o canteiro de obras, mas toda a cadeia produtiva da construção civil — setor que responde por cerca de 4,3% do PIB brasileiro e movimenta aproximadamente R$ 359 bilhões por ano, segundo dados do IBGE. Hoje, 70% das empresas ainda operam nos estágios “Tradicional” ou “Iniciante” no nível de adoção de BIM no país (Matriz Brasileira de Competências BIM, BIM Fórum Brasil), mas a expectativa é de crescimento nos próximos anos, impulsionado por ganhos de eficiência e pela necessidade de maior controle de custos.
Um dos pontos críticos está nos erros de projeto, que podem representar perdas no custo total de uma obra. “Projetos bem detalhados permitem decisões mais assertivas desde o início, o que impacta toda a cadeia, do fabricante ao executor”, afirma Gonçalves.